

MEDIAÇÃO CULTURAL
A mediação cultural da Mostra Porto em Foco aconteceu em dois momentos principais: primeiro, na Praça da Igreja, em Arraial d’Ajuda, durante a exposição física; depois, na Escola Sesc de Porto Seguro, com estudantes do 8º ano.
Em ambos os casos, a proposta foi aproximar arte, território e comunidade por meio do diálogo, da escuta e da participação coletiva.

MEDIAÇÃO CULTURAL NA PRAÇA
Arraial d'Ajuda | Porto Seguro | Bahia.
A mediação começou antes mesmo da abertura oficial da mostra. Após a montagem dos painéis, as fotografias foram cobertas com tecidos pretos, despertando a curiosidade de quem passava pela praça. Muitas pessoas paravam, perguntavam o que era aquilo e tentavam descobrir o que estava escondido. Esse primeiro contato já se transformou em um momento de conversa e convite para a abertura da exposição.
No horário da inauguração, os próprios fotógrafos retiraram os tecidos e apresentaram suas obras ao público. Em seguida, realizamos uma roda de conversa mediada por mim e por Marcelo Wasem, curador convidado da mostra. A atividade reuniu fotógrafos, curadores e público em um espaço de troca e escuta coletiva, no qual os artistas puderam compartilhar seus processos criativos, histórias e relações com o território retratado nas imagens.
O público também participou ativamente, comentando as obras, fazendo perguntas e dividindo memórias e percepções despertadas pela exposição. A roda de conversa se tornou um importante momento de mediação cultural, aproximando artistas e comunidade de forma horizontal e sensível, fortalecendo o diálogo entre arte, território e experiência coletiva.
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Ao longo das semanas, acompanhei de perto a exposição, visitando a praça em diferentes dias e horários para observar a relação do público com as obras e realizar ações de mediação cultural. Muitas dessas conversas aconteciam de forma espontânea: pessoas se aproximavam para perguntar sobre as fotografias, sobre os lugares retratados e sobre o processo da mostra. A partir desses encontros, eu apresentava o conceito da curadoria colaborativa, explicava como o público participou da escolha das imagens e conversava sobre temas como território, identidade e pertencimento.
Essas trocas também revelaram como muitas pessoas conheciam apenas partes específicas de Porto Seguro e pouco circulavam por outras regiões do município. A mostra acabou funcionando como um espaço de descoberta e reconhecimento do território, aproximando diferentes realidades e narrativas locais.
A praça se transformou em um espaço vivo de encontros. Crianças brincavam entre os painéis, moradores paravam para observar as fotografias e turistas descobriam novas histórias sobre Porto Seguro. Mais do que apresentar imagens, a exposição criou possibilidades de diálogo, escuta e troca entre pessoas de diferentes experiências e contextos.
Essas vivências mostraram que a mediação cultural vai além da explicação das obras. Ela acontece na presença, na conversa e nas relações construídas entre as pessoas, as imagens e o território.
MEDIAÇÃO CULTURAL NA ESCOLA
Mostra Nossos Olhares
A segunda etapa da mediação cultural aconteceu na Escola Sesc de Porto Seguro e se tornou uma das experiências mais importantes da Mostra Porto em Foco. A partir das discussões sobre fotografia e da apresentação da mostra em sala de aula, os estudantes do 8º ano foram convidados a desenvolver suas próprias imagens sobre os “rostos invisíveis” do território.
Antes de iniciarem a produção das fotografias, os alunos participaram de aulas sobre fotografia, cinema e análise de imagens, conhecendo o trabalho de fotógrafos nacionais e internacionais. Nesse processo, também tiveram contato com a exposição virtual da Mostra Porto em Foco, realizando análises e discussões sobre as imagens selecionadas, os temas abordados e as diferentes formas de representar o território. A partir dessas experiências, passaram a observar o próprio cotidiano de maneira mais sensível e crítica, buscando pessoas, histórias e vivências que normalmente não recebem visibilidade.
Cada estudante precisou conversar com os retratados, ouvir suas histórias e escrever pequenos textos sobre eles.
Assim, o processo foi além do registro fotográfico e se transformou em um exercício de escuta, sensibilidade e reconhecimento do outro.
As fotografias produzidas passaram por uma curadoria colaborativa realizada coletivamente em sala de aula. Os próprios estudantes discutiram quais imagens melhor representavam o tema da mostra e decidiram juntos quais fariiam parte da exposição final.
O resultado foi a exposição Porto em Foco: Nossos Olhares, montada no foyer do Teatro e Biblioteca do Sesc. Além de fotógrafos, os alunos também se tornaram mediadores culturais, apresentando suas obras para outras turmas e compartilhando suas experiências com o público.
A escola se transformou em um espaço de criação, troca e pertencimento. Mais do que aprender sobre arte, os estudantes passaram a produzir sentidos a partir dela, compreendendo que seus olhares, histórias e territórios também podem ocupar espaços de visibilidade.

































